11 comentários em “Maluco

  1. A tira está corretíssima, inclusive nas escolhas precisas das idades e raças dos personagens.

    O injuriador racial é geralmente branco, de meia idade, e caucasóide. Tá certinho e é uma crítica social incrível, digna de prova de vestibular.

    Só faltou explicar aos Enzos que esse crime é relativamente raro neste país miscigenado (ainda bem!), cerca de 10 mil casos ao ano, de acordo com o ABSP 2025.

    Isso é infintamente inferior aos dois milhões de estelionatos digitais (boa parte produzidos dentro das cadeias), dois milhões de furtos, um milhão de roubos, meio milhão de tráficos de drogas, 400 mil pertubações do sossego e por aí vai.

    Mas deixe os fatos para lá – não gostamos deles neste mundo de pós-verdade. Afinal, para alimentar a caquética luta de classes, o “nós contra eles” etc., nada mais estratégico que focar, neste mar de crimes em que vivermos, em uma mancha (branca) de xingamento racial.

    1. Engraçado seu comentário. Porque tipo, é sabido por quem estuda, que cadeia infelizmente mais cria criminosos do que ajuda a prevenir crimes (não sou abolicionista penal, mas tipo, prefiro ver um golpista que tentou praticar golpe de estado preso do que alguém que furtou pão, porque o primeiro teve toda a oportunidade de não praticar o crime mas praticou; e o outro provavelmente ninguém estendeu a mão para ajuda-lo por preconceito ou até problemas que o mesmo tem).

      Estelionatos digitais ocorrem porque infelizmente não há esforço suficiente para educar as pessoas contra isso (e não é só da cadeia que vem isso, infelizmente existem grupos – geralmente galerinha ligada a direita; que criam até “centrais falsas” para praticar crimes). Roubos, se tu não sabe, até membro das forças armadas, polícial e GCM pratíca (pesquise sobre policiais e GCMs roubando açougues), isso quando não eles controlam o tráfico também. Esqueceu do voo de um certo presidente com 36kg de droga que um membro de baixo escalão do exército assumiu a bronca e tá preso na espanha? Ou das jóias não declaradas na receita?

      O fato também é que injuria é crime, nisso você está certo. Mas tudo há contexto. E o contexto no quadrinho é simples: não é porque se sentiu incomodado que você pode usar algo contra alguém; o ideal é se silenciar se não gosta de outras presenças, ou se preferir, se ausente e aguarde o próximo elevador ou ônibus. Ninguém é obrigado a nada, exceto se existe uma regra ou lei. Se eu não vou com a cara de alguém, posso simplesmente usar outra forma de me deslocar ao invés de estar com a pessoa. Caso precise estar do lado de alguém que não vai com a cara (o preconceito se externa), simplesmente se refugie usando o celular. Geralmente faço isso quando estou em um lugar que não vou com a cara de alguém…

      Ah! E geralmente crimes de racismo e preconceito, a punição normal na verdade é mais prestação de serviço, pagamento de indenização/multa e/ou participação em cursos sobre cidadania e direitos – algo que talvez nós aqui dos comentários até precisamos um pouco de vez em quando, não?

      Um PS: nos últimos dias não teve um golpista que alegou Alzhaimer para ficar em prisão domiciliar?

      1. “é sabido por quem estuda, que cadeia infelizmente mais cria criminosos do que ajuda a prevenir crimes”. FAKE NEWS. A “escola do crime” não é culpa do aprisionamento em si, mas de duas políticas grotescas adotadas por aqui: penas muito leves (com progressão generosa) e o fato de que todos os presos ficarem no mesmo local, em salas com grandes conjuntos de beliches, contrariando o art. 52, II, da LEP. Aí o infeliz furta uma moto e vai preso 1 ano > aprende um truques novos > rouba uma casa e vai preso 2 anos > entra a facção e recebe umas “tarefas” > comete latrocínio e vai preso mais 6 anos… Se a pena fosse realmente pesada (como é na China que vocês tanto amam), a prisão cumpriria realmente a sua função primordial, que é afastar, por exemplo, um pedófilo das ruas por muitas e muitas décadas.

        “prefiro ver um golpista que tentou praticar golpe de estado preso do que alguém que furtou pão”. MENTIRA DESLAVADA. Furto de pão, de fruta, de leite etc. é chamado de “furto famélico” e não é crime há décadas, com base no princípio da ofensividade e da insignificância.

        “estelionatos digitais ocorrem porque infelizmente não há esforço suficiente para educar as pessoas contra isso”. DETURPAÇÃO PROPOSITAL. Agora a culpa é da vítima, camarada? Espere só as “manas” ficarem sabendo disso, Ligeiro! kkk. Estelionato, digital ou não, existe porque há quem opte pelo caminho do mal. Mas, lembra?, as penas são muito leves! Aí o criminoso faz os cálculos e verifica que, nas circunstâncias brasileiras, o crime vale a pena.

        “galerinha ligada a direita; que criam até “centrais falsas” para praticar crimes (…) até membro das forças armadas, polícial e GCM pratíca”. DESINFORMAÇÃO. Ser conservador é, em breves palavras, ter ódio, asco, raiva de bandido. Suas vidas não nos interessam mais. Quando um PM, GCM etc. comete crimes, adivinha?, ele vira bandido! Ele deixa de ser um dos nossos e passa para o lado vermelho da força, se é que você me entende.

        “O fato também é que injuria é crime, nisso você está certo (…) não é porque se sentiu incomodado que você pode usar algo contra alguém”. OBVIEDADE GINASIAL.

        “a punição normal na verdade é mais prestação de serviço (…) algo que talvez nós aqui dos comentários até precisamos um pouco de vez em quando, não?”. EU NÃO, CARA PÁLIDA. Apesar desse tesão da esquerda por censura, liberdade de expressão ainda é garantida por aqui. Ou seja, quem se expressa sem caluniar/difamar/injuriar ninguém deve ter o seu direito protegido.

        “Esqueceu do voo de um certo presidente com 36kg de droga (…) não teve um golpista que alegou Alzhaimer para ficar em prisão domiciliar?”. AQUI VOCÊ ESTÁ CERTO. Em nenhum país sério o capitão do leite condensado OU o cachaceiro da língua presa e seus asseclas estariam soltos e elegíveis por aí.

  2. Pensei em como comentar pois há diversas nuances e formas de leitura neste quadrinho. A básica é que o problema maior é o preconceito – que é o contexto principal aqui. Pessoas com preconceitos que se expõe acabam ignorando que podem sofrer de N formas com o próprio preconceito gerado.

    Lembrando que se alguém implicar com o termo “maluco” aqui, o contexto ganha mais nuances: existe o preconceito contra “malucos” assim como o termo “maluco” é usado de forma como “gíria”, imagino aqui que de sinônimo de “estranho” ou “implicado”.

    Se declarar “maluco” não vai automaticamente definir como tal perante a lei – para isso existe diagnósticos, diga-se. E usar “maluquice” como desculpa, isso a justiça (se justa) avaliará. De fato tem pessoas que sofrem com surtos e podem atacar verbalmente. E tem pessoas que infelizmente acabaram condicionadas a reagirem de forma agressiva e preconceituosa. À estes, o ideal é achar formas de “civiliza-los”.

    Divagações à parte e resumindo: não, não é porque é “maluco” que pode usar isso contra alguém ou como desculpa para alguma atitude “estúpida” (salvo pouquíssimas exceções). Se possível, tente mudar os preconceitos internos. (não, não é contigo WIll, é só um comentário genérico 😉 😀 )

Deixe uma resposta para Moloko Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *